domingo, 10 de janeiro de 2010
Introdução
A visita à Sala São Paulo e a outros lugares na cidade de São Paulo foi feita através de uma excursão realizada pelos alunos da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Uberlândia no dia 29/11/2009 guiado pela professora Beatriz Cappello, professora de Teoria e Crítica da Arquitetura.
A história
A sala São Paulo se localiza próximo à estação de metrô Luz e junto à estação de trem Júlio Prestes Cristiano Stockler das Neves/ Nelson Dupré; antiga estação de trens da Estrada de Ferro Sorocabana, hoje mais conhecida como Complexo Cultural Júlio Prestes.

Trem chegando em Bauru. Estação ainda em construção com estruturas de madeira.





A Sala São Paulo tem capacidade para até 1498 pessoas e é considerada a sede da maior e mais moderna sala de concertos da América Latina e foi construída com estrutura de concreto e alvenaria de tijolos no estilo Luís XVI com várias esculturas e com a presença de minuciosos detalhes, assim marcado pela sobriedade de ornamentos.
Em 1905 foi construída a primeira estação da Estrada de Ferro Sorocabana, depois em 1920 a construção da Estação Júlio Prestes, e em 1996 a construção da Sala de Concertos São Paulo.
O espaço hoje ocupado pela Sala São Paulo foi projetado em 1925, período em que a cidade se desenvolvia incentivado pelo café e pela ferrovia, sendo que a Estação Júlio Prestes seria a estação inicial da Estrada de Ferro Sorocabana, a principal veia de transporte de café em São Paulo. A área ocupa cerca de 25 mil m² e seu projeto arquitetônico foi de autoria de Cristiano Stockler das Neces e Samuel das Neves.
Em 1930 foram entregues ao público a ala das plataformas e o concourse. Logo depois, houve uma paralisação decorrente das consequências da Revolução de 1932, e 2 anos depois, a estação Júlio Prestes é inaugurada.
Vários fatores foram fundamentais para que a estação e também essa região caísse no esquecimento e abandono, como o fim da era de ouro do café, sem contar a degradação da região e do próprio transporte ferroviário.
Em 1990 surgiu a proposta de recuperar a estação e transformar parte do edifício na sede da OSESP (orquestra sinfônica do estado de São Paulo), podendo assim, receber qualquer tipo de concerto e possibilitando a apresentação de todos eles, pautada pela alteração do espaço da sala de concertos gerada pela flexibilidade do forro com painéis móveis. Fora isso, outro fator fundamental para uma boa apresentação é que os elementos de composição foram concebidos para a reflexão sonora multidirecional, demonstrando assim uma preocupação acústica além da preocupação simplismente arquitetônica.
Dozoito meses de obras e centenas de operários, técnicos especializados, modernas tecnologias, tudo transformaram a área central da estação, com um pé direito de 24 metros em uma das mais belas, modernas e completas salas de concertos do mundo.
A preocupação com o patrimônio cultural reflete a consciência de que não há desenvolvimento nem progresso, sem o cuidado com o passado. A recuperação, essa restauração do local é o resgate de uma importante época do passado da cidade, da história.

Trem chegando em Bauru. Estação ainda em construção com estruturas de madeira.
Estação Júlio Prestes em 10 de abril de 1939.
Estação:






Mapa dos assentos na sala
O restauro como foi pensado
O projeto arquitetônico para o restauro foi feito por Nelson Dupré, arquiteto responsável pelo restauro e readequação da Sala São paulo.
Foi convidado em 1997 pela Secretaria de Estado da Cultura através do engenheiro Ismael Solé.
Os desafios a serem vencidos eram grandes: isolamento e tratamento acústico, restauração e nova arquitetura, para isso, como a sua experiência em restauração e projetos de teatro e auditórios não pareciam ser suficientes, Dupré buscou complementá-los com visitas às salas de concertos na América do Norte e na Europa, estudando seus palcos, sistemas acústicos, áreas de apoio, acessos e fluxos e como eles se comportavam vazias ou não.
Um fator também de grande importância é a questão do forro móvel, que permite uma maior flexibilidade na acústica da sala, proporcionando um ambiente propício para qualquer apresentação.
As madeiras usadas em todo o espaço foram escolhidas visando um conforto diferente ao bom aproveitamento do som, ou seja, sua qualidade ao ser absorvida ou refletida, pelo fato de que cada tipo de madeira se difere da outra, tanto pelo tipo do material quanto pela expessura também. No final, cada uma possui um uso com interesses particulares. No palco foi usado um tipo de madeira, nos assentos outro tipo, no chão outro, e assim por diante.
Todos os detalhes foram pensados, e um desses pensamentos foi: "se o ponto de emissão do som no palco for fixo, para se ter uma reflexão sonora multidirecional sempre diferenciada, basta se ter um mesmo elemento multifacetado que se repita em todas as faces de todas as novas superfícies."
E como esse, surgiram vários outros detalhes que, juntos, tornariam esse projeto único e imponente, com uma arquitetura e engenharia excepcional.


Foi convidado em 1997 pela Secretaria de Estado da Cultura através do engenheiro Ismael Solé.
Os desafios a serem vencidos eram grandes: isolamento e tratamento acústico, restauração e nova arquitetura, para isso, como a sua experiência em restauração e projetos de teatro e auditórios não pareciam ser suficientes, Dupré buscou complementá-los com visitas às salas de concertos na América do Norte e na Europa, estudando seus palcos, sistemas acústicos, áreas de apoio, acessos e fluxos e como eles se comportavam vazias ou não.
Um fator também de grande importância é a questão do forro móvel, que permite uma maior flexibilidade na acústica da sala, proporcionando um ambiente propício para qualquer apresentação.
As madeiras usadas em todo o espaço foram escolhidas visando um conforto diferente ao bom aproveitamento do som, ou seja, sua qualidade ao ser absorvida ou refletida, pelo fato de que cada tipo de madeira se difere da outra, tanto pelo tipo do material quanto pela expessura também. No final, cada uma possui um uso com interesses particulares. No palco foi usado um tipo de madeira, nos assentos outro tipo, no chão outro, e assim por diante.
Todos os detalhes foram pensados, e um desses pensamentos foi: "se o ponto de emissão do som no palco for fixo, para se ter uma reflexão sonora multidirecional sempre diferenciada, basta se ter um mesmo elemento multifacetado que se repita em todas as faces de todas as novas superfícies."
E como esse, surgiram vários outros detalhes que, juntos, tornariam esse projeto único e imponente, com uma arquitetura e engenharia excepcional.


Acústica
O projeto acústico foi realizado por José Augusto Nepomuceno. E de acordo com ele, o forro móvel é uma peça fundamental, mas que apesar de toda a sua importância, não é tudo. Fora ele, há vários outros detalhes que favorece a obtenção de uma boa acústica, como por exemplo, a geometria da sala, a disposição dos balcões, o posicionamento do palco, a inexistência de carpetes e cortinas, a expessura da madeira, o desenho das poltronas, paredes pesadas. Tudo isso são constribuições que favorecem a qualidade do seu clima acústico. Como a Sala São Paulo é um ponto de referência, ela requeria um projeto no estado da arte, sendo assim, optou-se pela arquitetura variável e pela acústica ajustável. O forro é composto por 15 painéis com espaçamento estrategicamente definido, com módulos independentes, que permitem uma movimentação individual, e também o aumento controlado do volume da Sala e de seu tempo de reverberação.
A Sala São Paulo reúne em um mesmo ambiente os mais variados tipos de preocupações com relação à qualidade sonora, levando em consideração cada particulariedade das notas musicais, respeitando e valorizando seu tempo, seu tom, seu ritmo, tudo em prol de uma boa música.

A Sala São Paulo reúne em um mesmo ambiente os mais variados tipos de preocupações com relação à qualidade sonora, levando em consideração cada particulariedade das notas musicais, respeitando e valorizando seu tempo, seu tom, seu ritmo, tudo em prol de uma boa música.

sábado, 9 de janeiro de 2010
Projetos, restaurações e revitalizações
FAU-USP:
“A Fau é um espaço fluido, integrado, somático. A pessoa não sabe se está no primeiro andar, no segundo ou no terceiro” - Vilanova Artigas.
A Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo - FAU - foi fundada em 1948.
A FAU possui dois cursos: Curso de Arquitetura e Urbanismo e Curso de Design.


Desaparece também nesta casa outro tipo de hierarquia – a separação entre áreas nobres e não nobres – através da disposição das áreas de serviços, agora unidas de maneira racional, tanto em função do uso quanto da economia. Trazendo desta forma a edícula para junto do corpo da casa, integrando também a cozinha à sala – sem o uso de portas ou paredes – estruturando toda a circulação a partir de um volume central, no caso o banheiro e a lareira, funcionando como uma espécie de pivô.









Demolição do Carandiru
CENTRO DE SÃO PAULO:
Edifício Copan: Projetado na década de 50 pelo arquiteto Oscar Niemeyer com a colaboração de Carlos Alberto Cerqueira Lemos. COPAN tem 1.160 apartamentos distribuídos em 6 blocos com 2.038 moradores e área comercial no térreo com 72 lojas além de cinema que é ocupado por igreja evangélica. O bloco A têm 64 apartamentos de 2 dormitórios, os blocos C e D têm 128 apartamentos de 3 dormitórios e os blocos B, E e F têm 968 apartamentos tipo kitchenettes e de 1 dormitório. O edifício possui 20 elevedores no total e 221 vagas para automóveis no subsolo.

Sede IAB:

Edifício Itália:
“A Fau é um espaço fluido, integrado, somático. A pessoa não sabe se está no primeiro andar, no segundo ou no terceiro” - Vilanova Artigas.
A Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo - FAU - foi fundada em 1948.
A FAU possui dois cursos: Curso de Arquitetura e Urbanismo e Curso de Design.



"CASINHA" DE ARTIGAS:
A casinha, como ficou conhecida, foi construída em 1942, cinco anos após Vilanova Artigas ter se formado arquiteto-engenheiro pela Escola Politécnica de São Paulo. A casinha foi a primeira construída para si, fato que lhe outorga uma liberdade não alcançada nos projetos desenvolvidos até então.
“A casinha é de 1942. Foi um rompimento formal meio grande. A partir dela, foi à primeira vez que fiz e tive coragem de fazer porque era para mim, me libertei inteiramente das formas que vinham vindo. Libertei-me da planta porque a cozinha passou a se integrar na sala. Marcou uma nova fase em todo tratamento volumétrico daquilo que podia se chamar fachada, porque a fachada desapareceu”.
A casa foi implantada em 45º no terreno de maneira a desfazer qualquer tipo de hierarquia entre fachada principal, frente e fundo, desaparecendo com isso uma relação já caduca, herdada do período colonial, entre lote urbano e edifício.
A casa foi implantada em 45º no terreno de maneira a desfazer qualquer tipo de hierarquia entre fachada principal, frente e fundo, desaparecendo com isso uma relação já caduca, herdada do período colonial, entre lote urbano e edifício.
Desaparece também nesta casa outro tipo de hierarquia – a separação entre áreas nobres e não nobres – através da disposição das áreas de serviços, agora unidas de maneira racional, tanto em função do uso quanto da economia. Trazendo desta forma a edícula para junto do corpo da casa, integrando também a cozinha à sala – sem o uso de portas ou paredes – estruturando toda a circulação a partir de um volume central, no caso o banheiro e a lareira, funcionando como uma espécie de pivô.





PARQUE DA JUVENTUDE:
Localizado na área do Carandiru, onde funcionava a Casa de Detenção, o Governo do Estado criou o Parque da Juventude, um projeto em parceria com a Secretaria Estadual de Esporte, Lazer e Turismo. A área, de 240 mil metros quadrados, conta com centros cultural, esportivo, educacional, de saúde, desenvolvimento individual e coletivo e de lazer. Sua construção foi dividida em três fases: Parque Esportivo, Parque Central e Parque Institucional. O Parque da Juventude mudou a paisagem da zona norte ao substituir a casa de detenção carandiru por uma grande área verde, com esporte, lazer e turismo.O novo complexo cultural recreativo ocupa uma área de 240 mil m², com um projeto arquitetônico englobando três grandes espaços: o primeiro de caráter esportivo e recreativo, possui dez quadras poliesportivas, pista da skate, de patins e de corrida. O segundo espaço é caracterizado como de contemplação recreativa. É um espaço natural com alamedas, jardins, bosques, árvores ornamentais e frutíferas. O Parque conta ainda com uma pequena Mata Atlântica, de 16 mil m². Por fim, o terceiro espaço fornece estrutura e programas culturais como cursos.




Demolição do CarandiruCENTRO DE SÃO PAULO:
Edifício Copan: Projetado na década de 50 pelo arquiteto Oscar Niemeyer com a colaboração de Carlos Alberto Cerqueira Lemos. COPAN tem 1.160 apartamentos distribuídos em 6 blocos com 2.038 moradores e área comercial no térreo com 72 lojas além de cinema que é ocupado por igreja evangélica. O bloco A têm 64 apartamentos de 2 dormitórios, os blocos C e D têm 128 apartamentos de 3 dormitórios e os blocos B, E e F têm 968 apartamentos tipo kitchenettes e de 1 dormitório. O edifício possui 20 elevedores no total e 221 vagas para automóveis no subsolo.

Sede IAB:


Edifício Itália:

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
Projetos, restaurações e revitalizações 2
MERCADO MUNICIPAL:
O mercado é um projeto foi pelo escritório Ramos de Azevedo, pelos arquitetos Francisco Ramos de Azevedo e também por Felisberto Ranzini, e foi construído entre 1926 e 1932 ao lado do rio Tamanduateí, o que possibilitava um acesso melhor para a chegada de barco das pessoas com produtos vinda das chácaras. Foi inaugurado em 25 de janeiro de 1933 numa área de 12.600m², possui 1.600 funcionários que movimentam cerca de 350 toneladas de alimentos por dia em 291 boxes e recebe uma média diária de 14 mil pessoas. Francisco Ramos de Azevedo morreu em 1928, antes da conclusão da obra.



PRAÇA VICTOR CIVITA: 



EDIFÍCIO HARMONIA: 
O mercado é um projeto foi pelo escritório Ramos de Azevedo, pelos arquitetos Francisco Ramos de Azevedo e também por Felisberto Ranzini, e foi construído entre 1926 e 1932 ao lado do rio Tamanduateí, o que possibilitava um acesso melhor para a chegada de barco das pessoas com produtos vinda das chácaras. Foi inaugurado em 25 de janeiro de 1933 numa área de 12.600m², possui 1.600 funcionários que movimentam cerca de 350 toneladas de alimentos por dia em 291 boxes e recebe uma média diária de 14 mil pessoas. Francisco Ramos de Azevedo morreu em 1928, antes da conclusão da obra.
Os vitrais coloridos foram feitos pelo artista russo Conrado Sorgenicht, seguindo a orientação de Ramos de Azevedo, que queria que os mesmos, fosse um documento histórico mostrando como eram as cenas dos campos, a lida com o gado, a colheita com o café.



PRAÇA VICTOR CIVITA:
Todo o projeto arquitetônico é de responsabilidade da Levisky Arquitetos Associados, com as arquitetas Adriana Levisky e Anna Julia Dietzsch. As estruturas foram projetadas pela Cia de Projetos, sob a responsabilidade da engenheira Heloísa Maringoni.
O terreno possui uma área de 13.648m² e se localiza no Bairro Pinheiros, na zona oeste de São Paulo.
"A Praça Victor Civita é um espaço público diferente dos demais por configurar-se como ponto de referência sobre as questões ambientais, a partir da revitalização de uma área urbana degradada." O projeto teve seu início no ano de 2001.
O terreno possui uma área de 13.648m² e se localiza no Bairro Pinheiros, na zona oeste de São Paulo.
"A Praça Victor Civita é um espaço público diferente dos demais por configurar-se como ponto de referência sobre as questões ambientais, a partir da revitalização de uma área urbana degradada." O projeto teve seu início no ano de 2001.




EDIFÍCIO HARMONIA:
O conceito do projeto é o sistema hídrico. Está situado na Vila Madalena, transparecendo expressividade de diversas formas, apresentando várias formas de intervenção, o prédio possui um sistema próprio de tratamento e reutilização da água, com tubulação aparente em suas fachadas.
O edifício Harmonia 57 funciona como um organismo vivo, respirando e se modificando a cada dia, sendo que internamente as suas paredes sao preenchidas de terra, e externamente possui uma camada vegetal que funciona como uma pele para o edifício. A obra está composta de 2 blocos que se interligam por meio de passarela metálica e recortados com janelas com grandes lábios de concreto e terraços que tem vista para a cidade. O edifício é considerado como sendo uma "arquitetura verde".

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